Os pombos fazem parte da paisagem de qualquer cidade portuguesa. Na maior parte dos casos, ver um pombo na rua não representa perigo. O risco aparece quando as aves se instalam num edifício: os dejetos acumulam-se, secam e transformam-se em pó que pode ser inalado.

Neste artigo explicamos que doenças estão associadas aos pombos, quem deve ter mais cuidado e o que fazer para reduzir o risco, sem alarmismo.

O problema não é o pombo, é a acumulação de dejetos

A maioria das doenças ligadas aos pombos não passa diretamente da ave para a pessoa. Os agentes que as causam crescem nos dejetos acumulados em beirais, sótãos, telhados, caleiras e ninhos antigos. Quando esse material seco é mexido, por exemplo durante uma limpeza, as partículas ficam no ar e podem ser respiradas.

Por isso, um pombo ocasional numa praça é muito diferente de uma colónia instalada há meses numa cobertura técnica ou num sótão.

As três doenças mais associadas aos dejetos de pombo

As autoridades de saúde norte-americanas (CDC) e várias entidades de segurança no trabalho destacam três doenças:

  • Criptococose: causada pelo fungo Cryptococcus neoformans, que cresce nos dejetos acumulados sob os locais de pouso e em ninhos antigos. A infeção faz-se por inalação. Atinge sobretudo pessoas com o sistema imunitário debilitado e pode, nos casos graves, afetar os pulmões e o sistema nervoso.
  • Histoplasmose: causada pelo fungo Histoplasma capsulatum, que se desenvolve em solos e materiais enriquecidos com dejetos de aves e morcegos. Afeta principalmente os pulmões. A maioria das pessoas expostas não tem sintomas ou tem sintomas ligeiros, semelhantes a uma gripe.
  • Psitacose (ornitose): causada pela bactéria Chlamydia psittaci, presente nos dejetos secos e secreções de aves infetadas. Começa com sintomas parecidos com uma gripe e pode evoluir para pneumonia. Trata-se com antibióticos.

Outros riscos associados aos pombos

  • Bactérias intestinais: Salmonella e E. coli podem contaminar superfícies, esplanadas e zonas de refeição.
  • Parasitas dos ninhos: ácaros e carraças de pombo podem procurar outro hospedeiro quando os ninhos são abandonados ou removidos, e entrar em quartos e escritórios.
  • Alergias e problemas respiratórios: a poeira de penas e dejetos pode agravar asma e outras doenças respiratórias, sobretudo em espaços fechados.

Quem deve ter mais cuidado

  • Pessoas com o sistema imunitário debilitado (doentes oncológicos, transplantados, pessoas com VIH).
  • Pessoas com asma ou doença respiratória crónica.
  • Trabalhadores que limpam telhados, sótãos, caleiras e equipamentos com dejetos acumulados.
  • Funcionários de manutenção que trabalham junto a unidades de ar condicionado e coberturas.

Em caso de sintomas respiratórios persistentes depois de exposição a dejetos de aves, consulte um médico e refira essa exposição.

O que isto significa para hotéis e resorts

Num hotel, os pombos instalam-se onde encontram abrigo e comida: coberturas técnicas, varandas de quartos desocupados, pérgulas, esplanadas e zonas de pequeno-almoço exterior. Os riscos práticos são três:

  • Higiene alimentar: dejetos em esplanadas, mesas e zonas de buffet exterior entram em conflito com os planos de segurança alimentar (HACCP).
  • Equipamentos: ninhos e dejetos junto a unidades de ar condicionado e grelhas de ventilação aumentam a necessidade de limpeza e manutenção.
  • Experiência do hóspede: varandas e mobiliário sujos, ruído de madrugada e parasitas são motivo frequente de reclamação.

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Como reduzir o risco

  • Não alimentar as aves e manter contentores de lixo fechados.
  • Limpar com proteção: humedecer os dejetos antes de os remover, para não levantar pó, e usar máscara FFP2 ou superior, luvas e roupa descartável. Em grandes acumulações, recorrer a uma empresa especializada.
  • Tapar acessos a sótãos, coberturas técnicas e vãos com redes antipombos.
  • Retirar o hábito de pouso: as aves voltam aos locais onde se sentem seguras. O controlo de pombos com aves de rapina cria a perceção de que o espaço é território de um predador, sem captura, sem químicos e sem ferir nenhum animal.

Perguntas frequentes

Posso apanhar uma doença por tocar num pombo?

O risco por contacto ocasional é baixo. O maior risco está na inalação de pó de dejetos secos acumulados.

As fezes frescas são perigosas?

Os fungos associados à criptococose e à histoplasmose desenvolvem-se sobretudo em dejetos acumulados e secos. Ainda assim, deve evitar-se o contacto direto e lavar as mãos.

Quem deve limpar grandes acumulações de dejetos?

Equipas com equipamento de proteção e procedimentos adequados. A Falco Lux faz limpeza de telhados e instalação de redes antipombos com equipa própria.

Como evitar que os pombos voltem?

Retirando comida e abrigo, tapando acessos com redes e quebrando o hábito de pouso com a presença regular de um predador, como as aves de rapina treinadas.

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Este artigo tem fins informativos e não substitui aconselhamento médico. Fontes: CDC/NIOSH · Emmons, Public Health Reports · Condado de Los Angeles (2026)