As gaivotas tornaram-se um dos maiores problemas das esplanadas em Portugal, sobretudo junto ao mar e nos centros das cidades. Roubam comida dos pratos, assustam clientes, sujam mesas e toldos e obrigam a equipa a estar sempre de olho no céu.
A boa notícia é que o problema tem solução. A má notícia é que não há um truque único: o que resulta é combinar várias medidas e manter a regularidade. Neste artigo explicamos o que funciona, o que não funciona e quando faz sentido chamar um profissional.
Porque é que as gaivotas escolhem a sua esplanada
A espécie mais comum nas nossas cidades é a gaivota-de-patas-amarelas. É uma ave inteligente, oportunista e que aprende depressa. Se uma esplanada lhe oferece comida fácil uma vez, volta. Se lhe oferece todos os dias, passa a fazer parte da sua rotina.
- Comida acessível: restos nas mesas, tabuleiros por levantar, caixotes abertos e clientes que dão comida.
- Pontos de vigia: guarda-sóis, toldos, candeeiros e telhados próximos, de onde observam as mesas.
- Ninhos por perto: na primavera e no verão, as gaivotas que nidificam em telhados vizinhos ficam mais presentes e mais agressivas a defender as crias.
1. Retire a comida fácil
É o primeiro passo e o mais barato. Sem comida disponível, a esplanada deixa de ser tão interessante.
- Levante pratos e restos logo que os clientes terminam.
- Use caixotes com tampa e esvazie-os com frequência.
- Não deixe tabuleiros nem buffets ao ar livre sem vigilância.
- Coloque um aviso discreto a pedir aos clientes que não alimentem as aves.
2. Proteja os pontos de pouso
Espigões, fios tensores e redes impedem as gaivotas de pousar em toldos, beirais, candeeiros e coberturas. Não as afastam da esplanada, mas tiram-lhes os pontos de vigia de onde atacam as mesas. Nos telhados próximos, as redes evitam também que nidifiquem.
3. Desconfie dos dissuasores que perdem efeito
Corujas de plástico, CD pendurados, fitas refletoras, sons gravados e luzes costumam funcionar nos primeiros dias. Depois, as gaivotas percebem que não há perigo real e habituam-se. É dinheiro gasto que dá uma falsa sensação de segurança.
4. Use um predador real: a falcoaria
A falcoaria funciona porque o predador é verdadeiro. Uma ave de rapina treinada, como a águia de Harris, voa regularmente sobre a zona sob controlo de um falcoeiro. As gaivotas associam o local a perigo e procuram outro sítio. Não há captura, não há químicos e as aves-problema não são feridas.
Para resultar, a falcoaria tem de ser planeada:
- Horários certos: intervenções antes e entre os serviços, para que a esplanada esteja livre nas horas de refeição.
- Regularidade: no início as visitas são mais frequentes. Depois, ajusta-se a frequência à pressão de aves.
- Época do ano: antes e durante a época de nidificação, a presença deve ser reforçada.
- Equipa licenciada: o uso de aves de rapina exige licença do ICNF, documentação CITES e seguro.
5. Pense na zona, não só na sua esplanada
As gaivotas não respeitam limites de propriedade. Numa frente de mar, numa praça ou numa marina, o resultado é muito melhor quando vários estabelecimentos, o condomínio ou a junta de freguesia trabalham em conjunto. Um plano partilhado também fica mais barato para cada um.
Atenção: as gaivotas são aves protegidas
Em Portugal, as aves selvagens estão protegidas por lei. Capturar ou ferir gaivotas, ou remover ninhos e ovos, não é permitido sem autorização do ICNF. Por isso, qualquer solução deve afastar as aves, nunca fazer-lhes mal.
Quando chamar um profissional
Se já retirou a comida fácil, protegeu os pontos de pouso e as gaivotas continuam a aparecer, é altura de pedir uma avaliação. Um técnico identifica de onde vêm as aves, a que horas atacam e que combinação de medidas faz sentido para o seu espaço.
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Perguntas frequentes
É proibido matar gaivotas em Portugal?
Sim. As gaivotas são aves selvagens protegidas. Matar, capturar ou ferir gaivotas, ou remover ninhos e ovos sem autorização do ICNF, não é permitido.
As corujas de plástico afastam as gaivotas?
Só durante pouco tempo. As gaivotas percebem rapidamente que a coruja não se mexe e habituam-se.
Quanto tempo demora a falcoaria a fazer efeito?
Depende do número de gaivotas e de há quanto tempo frequentam o local. Com intervenções regulares e bem planeadas, o comportamento das aves muda ao longo das primeiras semanas.
A falcoaria incomoda os clientes?
Não, quando é bem planeada. As intervenções decorrem fora das horas de maior movimento e as aves estão sempre sob controlo do falcoeiro.
Gaivotas na sua esplanada?
Fazemos uma visita técnica e propomos um plano à medida do seu espaço.
